A Comissão Européia e o Fundo Monetário Internacional aprovaram pacotes de ajuda financeira de quase US$ 1,0 trilhão aos governos dos países PIIGS - Portugal, Ireland, Italy, Greece e Spain, para beneficiar a rolagem de suas imensas dívidas públicas internas e externas, feitas pelos bancos que ainda estão com graves problemas patrimoniais.
O objetivo pretendido é evitar que se torne uma crise sistêmica e que destrua os pilares básicos que alicerçam a Zona do Euro. O euro está ameaçado de perder as funções básicas de moeda de livre conversibilidade - reserva de valor, unidade de conta e meio de pagamento.
A ajuda financeira provocará ajustes econômicos aos países europeus por meio da elevação da taxa básica de juros, desvalorização cambial e arrocho fiscal com aumento de impostos, corte de gastos públicos e redução dos avanços de bem-estar com a seguridade social.
Entretanto, essas medidas deverão ser dificultadas pela grave conjuntura mundial, em ambiente de recessão e desemprego. Por um lado, os governos não conseguirão solução fácil econômica e politicamente para reduzir drasticamente os seus gastos públicos, bem como criar ou elevar impostos. Por outro, esses governos não têm liberdade para manejar suas políticas monetária e cambial - tarefa exclusiva do Banco Central Europeu.
A questão fiscal desses países tem sido o elo frágil da Zona do Euro. O Tratado de Maastricht estabeleceu para ingressar nesse bloco relações déficit público/PIB de 3,0% e dívida pública/PIB de 60,0%. Para burlar esses limites, alguns países "maquiaram" suas estatísticas fiscais e foram assessorados pelos bancos credores para criarem inovações financeiras (swaps) para atrair outros financiadores, desrespeitando os 25 Princípios Básicos da Boa Supervisão Bancária, do Banco de Compensações Internacionais (conhecido como BIS).
A crescente necessidade de recursos financeiros para financiar suas dívidas públicas levou os PIIGS a serem "capturados" pelos bancos que ofereciam recursos abundantes dos países "ajustados"- como a Alemanha - atraídos pelo risco moral (moral hazard).
Posteriormente, a rolagem dessas dívidas criou uma "bola de neve" ampliada pelas consequências da crise mundial provocada pelas hipotecas norte-americanas desde 2007.
Essa grave situação desses países da Zona do Euro teve origem na baixa produtividade e falta de competitividade externa. Também foi motivada pela ausência de organismo central de regulação financeira que atuasse em harmonia com os órgãos de supervisão bancária de todos os países que compõem esse bloco econômico. E é claro, também sentiu duramente os reflexos dessa grave crise econômico-financeira mundial.
Mas, afinal, o que se pode esperar com relação ao futuro do bloco econômico da Zona do Euro? Estará condicionado: 1) ao sucesso das políticas macroeconômicas dos "desajustados", e ao apoio dos "ajustados" comandados pela Alemanha, cujo povo não vê com bons olhos essas ajudas financeiras e nem a permanência dos PIIGS no bloco econômico; 2) às ações dos governos dos EUA e Japão que não enfraqueçam ainda mais o euro, e; 3) à continuidade da confiança no euro como reserva internacional pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Caso contrário, estarão minados os pilares que alicerçaram a Zona do Euro como o maior bloco econômico e, em consequência, a falência de sua moeda única: o euro.
Newton Marques, professor da UnB e membro dos Conselhos de Economia Regional do DF e Federal
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